JO: Como a homossexualidade é vista no meio cigano?
FC: Não é bem visto. Ainda existe preconceito, mas não acredito que não tenham casos, até por que, acima de tudo são ser humanos. Uma curiosidade é que os homens não devem ler a mão, só as mulheres, mas quando isso acontece, não o xingam, nem o chamam de homossexual, e sim que eles têm um lado feminino muito acentuado.
JO: Se algum cigano fosse homossexual, ele poderia vir a ser morto?
FC: Não, de maneira nenhuma. Ciganos não tiram a vida de ninguém. Não vou generalizar, pois estamos falando de ser humano, pode ter havido casos de morte, é claro, mas é uma minoria. Ciganos não tiram a vida de ninguém.
JO: Mas os ciganos não têm essa fama de ser agressivos, usar sempre o punhal para qualquer briga?
FC: O que acontece é que os ciganos são tempestivos, falam alto, exagera na bebida, então, daí vem aquele clima de euforia. Mas em geral, os ciganos não pegam numa arma pra matar.
JO: Dizer que o povo cigano tem liberdade é um pouco contraditório, por que eles têm religião, logo são presos em dogmas religiosos, levam muito em consideração os valores morais, logo são presos a eles. Que liberdade é essa que os ciganos tanto pregam?
FC: O povo cigano é um povo altivo, de não se curvar aos nossos padrões, aos padrões dos não ciganos. Eles não buscam uma moradia fixa, não aderem a nossa moda, as nossas leis. É como se fosse uma sociedade paralela a nossa, essa é a liberdade dos ciganos.
JO: Qual é a sua opinião a respeito de ser cigano no Brasil?
FC: Ser cigano é maravilhoso. Fazer parte da história, da cultura, isso tudo é fantástico. Eu amo esse povo e o estudo, mas não é por isso que digo que sou cigana, tento trazer para a minha vida seus hábitos, sempre fui desse jeito. Mas acho que ser cigano atualmente é como se fosse um status, por que ser cigano é ter o respeito das outras pessoas, já que temos esse povo como os conhecedores da magia e dos mistérios. Aqui no Brasil é muito fácil dizer que é cigano, o difícil seria afirmar isso em países como Portugal, Itália, Alemanha, onde eles sofrem preconceito e agressões. Onde eles são marginalizados, não têm boas condições e boa qualidade de vida.

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